A CHAMADA "DESCOLONIZAÇÃO" ASSENTOU EM LEI ANÓNIMA AQUANDO DA EXISTÊNCIA DE GOVERNOS PROVISÓRIOS SEM LEGITIMIDADE CONSTITUCIONAL.

O PROCESSO DA TRAIÇÃO: Este poderia muito adequadamente ser a designação de causa posta em tribunais sobre a (descolonização exemplar). Talvez mais expressiva do que a da cadeia, será - O JUÍZO DA HISTÓRIA -.


A "DESCOLONIZAÇÃO EXEMPLAR" ( I ).

                        DO LIVRO "LONGE É A LUA, MEMÓRIAS DE LUANDA -ANGOLA". 

Nos chamados acordos de Alvor (que não foi mais que um palco de teatro e de falsidade, iludindo todos os portugueses) estava previsto a realização de eleições livres. A população de Angola vivia na esperança de um país multirracial, tal como o era há cinco séculos.
Rapidamente, os portugueses de Angola despertaram para a realidade, em especial quando se foi tornando visível o crime da "Revolução da Perfídia" dissimulado atrás das proclamações e discursos cacarejados ad nauseum pelos pastores da decadência, e mestres de todos os crimes, que surgiram em tropel, indivíduos que obedeciam e, obedecem aos ditames e determinações dos piores inimigos de Portugal, e os factotums mais ou menos ocultos (et pour cause) da subversão mundial, que vociferavam chavões pré-concebidos como “liberdade”, “democracia” e “direitos dos povos”, ao mesmo tempo impunham o terror com as armas na imposição ao arrepio da funesta ditadura comunista com todo o seu cortejo de abusos, atrocidades e violências, como é de regra entre os que se servem de slogans altissonantes para camuflar negócios escuros e actividades, pela menor das quais iriam parar à cadeia.
Em Angola, nas últimas semanas de Maio 1974 as portas das cadeias são abertas para a libertação de todos os assassinos, terroristas, delinquentes, e malfeitores.
Em Luanda a 10 de Junho 1974, encontravam-se muitos estrangeiros e jornalistas para assistirem ao campeonato internacional de hóquei em patins que inaugurava a cidadela de Luanda, construída na zona de S. Paulo. A presença dos jornalistas e estrangeiros foi explorada pelos terroristas na instigação ao terror e ao crime, entre esses, José Van Dúnem, (o mesmo que a 27 de Maio de 1977 foi assassinado pelo próprio MPLA e que estes lançaram o seu corpo de um avião para uma floresta), esse terrorista a quem as portas da cadeia São Nicolau foram abertas em Maio de 1974, era até então um desconhecido para o povo, durante o mês de Junho nos bairros suburbanos, em especial no muceque Sambizanga, desencadeou uma campanha de instigação ao ódio e ao racismo contra os portugueses, e ao tribalismo contra a UNITA e a FNLA, dizia-se representante de Agostinho Neto, em Luanda, e afirmava defender um vínculo mais forte com Moscovo. Dessa campanha de instigação ao ódio e ao racismo viriam a resultar as primeiras vítimas portuguesas em Luanda "um Taxista e dois Polícias" assassinados à catanada e pendurados com cordas ao pescoço numa árvore no muceque Sambizanga e, a eclosão dos primeiros distúrbios em vários bairros periféricos, muceques, entre as fracções rivais.
*P.98

Na manhã de 11 de Julho de 1974, a população que já vislumbrava nuvens negras no horizonte, acordou em sobressalto com a notícia da descoberta às primeiras horas da madrugada dos corpos de um taxista e de dois agentes da polícia (PSP) assassinados, imediatamente desencadeou-se um levantamento da população branca, para travar esse levantamento, consequência desses crimes, em Lisboa foi tomada a decisão do envio de Rosa Coutinho para Angola.  Assim, o Governador Geral de Angola, General–Silvino Silvério Marques– a 22 de Julho recebe ordem de regressar à Metrópole, foi desta forma arbitrária saneado, por déspotas, do seu cargo conferido por Lei Constitucional de um Estado legítimo. Acto esse que desmascarou a traição concertada em Lisboa e que iria ser concluída em Angola.
É, então, nomeada uma junta governativa chefiada pelo almirante de pacotilha Rosa Coutinho. Ao chegar a Luanda e após instalar-se no Palácio do Governador-Geral, a sua primeira ordem foi mandar desarmar os corpos institucionais da ordem, a Polícia, e, em conivência com o MFA ordena pessoalmente que os militares que em Junho de 1974 se encontravam em Angola ao serviço da Nação, no cumprimento regular do serviço à Pátria (de escassa ou nenhuma confiança, face às directivas promulgadas pelos tenebrosos esquerdistas) regressarem rapidamente para Lisboa, para serem substituídos pela tropa-fandanga abrileira preparada e “trabalhada” pelos ideólogos e capatazes comunistas dos quartéis de Lisboa, sobre o molde marxista-leninista, cujo juramento dessa nova tropa foi feito com punho fechado.
Ao mesmo tempo que os militares ao serviço da Pátria regressavam a Lisboa, eram substituídos por indivíduos desprezíveis com propensões ao crime, que no trajar e na falta de asseio eram comparáveis ao Che Guevara com barba de arrumador que vivia escondido pelos pântanos e cavernas das matas da Bolívia. A estes grupelhos deram-lhes o nome de militares, uma farda para vestir, e enviaram-nos para Angola ao serviço do MFA e de Rosa Coutinho cujo objectivo era entregar Angola ao colonialismo soviético via cubanos e MPLA.
Assim, em lugar de soldados regulares de um exército regular, desembarcam em Angola bandos de desordeiros, criminosos e assassinos, desleixados e imundos, com guedelhas sebosas e desgrenhadas, barbas de arrumadores e cigarro ao canto da boca. Uma grotesca chusma, um verdadeiro atentado à moral e à ética militar, uma mancha vergonhosa nas fardas de um exército que até então tinha sabido honrar e dignificar a Nação portuguesa, um atentado aos valores dos honrados militares que tinham defendido os povos e territórios de Portugal, e insulto grosseiro à memória dos que tombaram em defesa da Pátria. 
Não tardou que a tropilha abrileira e Rosa Coutinho tomassem conta da situação em todos os sectores, para começar e como primeira medida, a sombria personagem deu ordem de desarmar a polícia, ficando a população branca, totalmente indefesa, e sem qualquer protecção das entidades oficiais, ao mesmo tempo que o almirante de pacotilha e sua tropa-fandanga animavam e encorajavam abertamente as acções dos grupúsculos comunistas do MPLA. A polícia foi substituída por patrulhas formadas com elementos dessa tropa e do MPLA, e a liberdade proclamada pelos traidores e facínoras passou a ser imposta pelas lâminas das catanas e pelas pontas das baionetas em mãos assassinas. Em Agosto de 1974, um mês após a chegada de Rosa Coutinho, 34.000 portugueses fogem de Luanda para Lisboa e para outros destinos. Na cidade começa a reinar a anarquia, os assaltos, os roubos, e os confrontos armados nos quais participava activamente a tropa-fandanga de Abril, e que se alastravam às cidades e vilas do interior de Angola, os confrontos iam assumindo proporções de guerra civil, declarada com a entrada do ano de 1975.
*P. 99

Luanda, Fevereiro 1975. A violência recrudescia em proporção geométrica, e a criminalidade grassava monstruosamente. Entre os constantes roubos, assaltos, assassinatos e violações, o rebotalho de Luanda cevava ódios e dava livre curso aos instintos mais baixos e selvagens. Cujos autores, muitos deles, nem sempre eram marginais, mas pessoas que até ao 25 de Abril se comportavam como cidadãos decentes e zelosos, no cumprimento do dever e no respeito pelas relações entre as etnias.
Durante o dia não cessava o fragor das metralhadoras e das armas pesadas, granadas que explodiam umas no vazio, outras contra os edifícios. Inúmeras viaturas eram pasto das chamas.
Seguiu-se uma campanha desenfreada para explorar o obscurantismo de brancos e negros. Foi divulgado que a FNLA assava crianças, arrancava corações, bebia o sangue dos inimigos, que na delegação da Avenida do Brasil e no seu quartel no Cazenga tinham sido descobertas salas de tortura, onde se escondiam dentro de frigoríficos frascos com sangue e corações humanos, que havia corpos de pessoas queimadas e mutiladas. A médica encarregada do laboratório da Faculdade de Medicina desmentiu esse tipo de propaganda, divulgando que o sangue e os corações pertenciam ao Museu Anatómico. Foi presa, ante o pavor dos filhos, pelo MPLA com a cumplicidade das autoridades portuguesas. A ameaça de greve geral dos médicos, na altura, salvou-a. Libertaram-na, expulsando-a para Lisboa. E, assim, a posição da FNLA tornou-se insustentável em Luanda.
O MPLA conjuntamente com as tropas portuguesas de Abril iniciaram uma perseguição tenaz na Avenida D. João II, à entrada da Rua Coronel Artur de Paiva "chaimites da tropa portuguesa" disparavam sobre soldados da FNLA, que fugiam desarmados e, cujo medo era tão grande que enquanto corriam despiam a farda para mostrarem que estavam indefesos e que apenas queriam salvar-se. Pretendiam alcançar o bairro do Saneamento onde viviam os ministros da FNLA, e o largo do Palácio, na esperança de ali conseguirem protecção.
Na calçada de Santo António em frente da Rádio Ecclesia, Emissora Católica de Angola, fizeram igual caça –a tropa portuguesa abrileira sorria perante o espectáculo– as balas não paravam de chover, os mortos lá ficaram, tombados nos passeios ou no pavimento das ruas. Os que viveram foram retirados pela UNITA e levados para as terras de onde eram oriundos.
Março 1975, pelas ruas da cidade diariamente aconteciam combates violentos entre o MPLA, a FNLA e a UNITA.
*P.100

Luanda, Março 1975. Às portas de Luanda o paiol do quartel militar, Grafanil, foi bombardeado com obuses de artilharia e voou pelos ares, na consequência dessa violenta explosão a cidade inteira foi sacudida, como forte terramoto.
Granadas explodiram nos depósitos da Petrangol, Refinaria de Luanda, a cidade inteira esteve prestes a sumir-se num mar de labaredas que nada poderia apagar se o combustível derramado se inflamasse.
Na Liga Nacional Africana, situada na zona da Vila Clotilde, encontravam-se elementos da FNLA escondidos, dezenas de guerrilheiros do MPLA tomaram-na por assalto com metralhadoras, lança-granadas, e granadas presas à cintura, circundaram toda essa área residencial, os moradores das casas vizinhas trancaram as portas e as janelas, protegendo-se na parte da casa que pensavam ser a mais segura, e permaneceram abraçados, rezando, pedindo a protecção do Divino.
Em Luanda restou à FNLA a Fortaleza de São Pedro da Barra, cuja guarnição resistiu durante muito tempo aos assaltos do MPLA, recebendo reabastecimento à custa de subterfúgios que ultrapassavam as mentes mais imaginosas. Os militares cercados não se rendiam. Uma ambulância foi destruída e nela morreram enfermeiras e enfermeiros.
Para desespero da FNLA um dos seus representantes no governo provisório o ministro da agricultura, Neto, assinou a rendição dos sitiados e fugiu para a Suíça onde se juntou à mulher e aos filhos. Os defensores da Fortaleza baixaram os braços e saíram da cidade sem serem molestados pelo MPLA. Constou na altura que a FNLA minara o porto de Luanda, e que o MPLA não poderia receber armamento desembarcado de navios da Cortina de Ferro. Até que a FNLA se viu forçada a abandonar a capital e estabelecer-se mais ao norte. E quando a 4 de Julho de 1975 o MPLA massacrou 250 recrutas da UNITA em Luanda, a UNITA abandonou, também, Luanda. A direcção da UNITA decidiu sair da capital e concentrar-se nas cidades do planalto central de Angola. Assim, em Luanda ficou apenas o MPLA que pelo terror e assassinatos esperava a partida dos portugueses. E, inaugurava a era dos assaltos, das buscas domiciliárias, das prisões arbitrárias, das casas destruídas, e incendiadas, dos assaltos, roubos e destruição aos estabelecimentos comerciais, na maioria dos casos pelo simples prazer de destruir e incendiar.

Na estrada de Catete grupelhos entre os 12 e 16 anos idade, armados com metralhadoras, com paus e com catanas interceptavam os automóveis de portugueses que fugiam e tentavam chegar a Luanda, após matarem os ocupantes incendiavam os automóveis.
Um funcionário do matadouro municipal que tinha sido preso com um filho, foi espancado durante horas por esbirros do MPLA, e quando se cansaram de bater abriram-lhe a cabeça com uma catana. Ao marido de uma escriturária da DGS enrolaram nos testículos e no pénis um rastilho de pólvora, depois de quase o matarem à pancada. Quando se preparavam para lhe atear o fogo um soldado das FAPLA “condoeu-se” e convenceu os camaradas a enrolarem o rastilho e acenderem-no num braço da vítima e, assim foi feito.
Na barra do Quanza uma criança branca de quatro anos de idade (menino) foi encontrado gravemente ferido pelos golpes das catanas. Sobreviveu porque os assassinos o julgaram morto. Depois de cercarem e assassinarem a golpes de catanas os pais e os membros da família dessa criança que tentavam chegar a Luanda, incendiando o carro de seguida. A criança foi encontrada mais tarde e levada para um hospital de Luanda. 
O engenheiro Bandeira, Administrador da Petrangol, ficou com as pernas e os braços deformados e praticamente inertes, depois das sessões de tortura a que o submeteram.
Um pasteleiro do bairro da Cuca foi brutalmente torturado e obrigado a assistir à violação da mulher e das filhas.
Na Av. Brasil uma portuguesa foi morta dentro do seu apartamento atingida pelas rajadas das balas tracejantes. Nas casas os pais procuram proteger o melhor possível os seus filhos, em muitos casos a escolha eram os quartos de banho, improvisando camas nas banheiras ou colchões pelo chão, por ser a parte da casa menos exposta aos bombardeamentos das granadas lançadas dos morteiros ou das balas tracejantes que eram utilizadas pelos criminosos.
Nas masmorras dos muceques inúmeros homens e mulheres enlouqueceram pelas torturas infligidas e muitos outros foram assassinados.
 *P.101

Pelas ruas de Luanda a população organizava-se em manifestações e marchas para pedir ajuda ao governo da Metrópole, mas essa ajuda era negada. Que misericórdia se pode esperar de lobos que entram num redil? Face aos repetidos insucessos e, ao manifesto desprezo dos governantes, os portugueses começaram a fazer manifestações junto dos cônsules dos EUA, França, e Suiça. A população de Luanda e de outras cidades ou vilas manifestavam-se em pedidos de ajuda, pediam aviões e navios que lhes permitissem a saída urgentemente de Angola. Centenas de pessoas, muitas das quais moradoras no bairro da Cuca, então a ferro e fogo, dirigiram-se ao Palácio onde Rosa Coutinho se tinha instalado, para pedir ajuda e protecção, a tropa abrileira que o guardava impediu-lhes a passagem. A multidão protestou, reclamou e gritou indignada, mas pouco podia fazer perante a ameaça das armas apontadas contra si. Então, os ânimos chegaram ao rubro. Um grupo de homens lançou-se contra o gradeamento do jardim do Palácio arrancou-o, forçou a passagem, e entrou pelas janelas. Um desses portugueses ao ver as armas apontadas e prontas a disparar, num clamor de raiva e de desespero gritou – Se nos querem matar, matem-nos agora!!! Porque é isso que nos vai acontecer a todos! – É o que esse homem quer!!! – Gritou alguém de entre a multidão.
A porta de entrada foi arrombada sem demasiada dificuldade, e quando os primeiros entraram no Palácio, Rosa Coutinho que se encontrava escondido apareceu e as suas únicas palavras foram:  "O que é que vocês querem? Vão-se embora!". Perante tal arrogância e prepotência, uma portuguesa, Maria Emília Ferreira, comerciante no mercado do Kinaxixi, e moradora no bairro da Cuca, destacou-se de todos e dirigiu-se directamente a ele ameaçando matá-lo com as suas próprias mãos, agarrando-o pela camisa, que na tentativa de fuga foi rasgada, ficando um botão na mão de Maria Emília Ferreira. Houve mesmo quem o agarrasse pelo pescoço. Cercado, pálido e a tremer de medo Rosa Coutinho saltou para cima da secretária exigindo a protecção das tropas abrileiras presentes, que já tinham pedido reforços ao quartel-general. Quando chegaram, dezenas, armados com metralhadoras, nas viaturas do exército, o fantoche fugiu por uma janela da parte de trás do Palácio.
Perante a fuga do fantoche vermelho, essa multidão de portugueses rodeados por dezenas de vagabundos militares abrileiros com armas nas mãos apontadas, sob ameaças de dispararem, desta vez com argumentos mais "persuasivos" com disparos para o ar, foram obrigados a abandonar o local. Enquanto se afastavam gritavam que haviam de o matar. E, percorreram as ruas da cidade ao som das buzinas das viaturas ligeiras, camionetes e camiões em manifestação de protesto, revolta, e desespero contra a índole criminosa, a tirania, e o cinismo deste infame traidor e assassino vermelho. A partir desse dia, Rosa Coutinho acoitou-se no alto mar a bordo de uma fragata da Marinha, e nunca mais foi a terra sem se fazer acompanhar de um pelotão de abrileiros armados. 
A partir dos meados do mês de Outubro e durante o mês de Novembro de 1974, o desembarque de cubanos passou a ser mais frequente (ainda que discretamente), perfazendo no ano seguinte 1975, e 1976 o total de 300.000 soldados, assomando assim a guerra civil que se alastrou a todo o território angolano e o domínio do mesmo pelos russos através das tropas cubanas, e do MPLA.
 *P.102

 Do Livro "LONGE É A LUA" - Memórias de Luanda-Angola, de Rogéria Gillemans. Op. cit., P.98 a 102, ISBN 978-989-20-1341-1. Reservado o direito de autor, previsto e protegido pela Lei, como tal, a sua cópia total ou parcial não autorizada é um acto ilícito passível de acção, previsto na Lei!

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